Por Sari Koivukangas
Por que nos ofendemos com tanta facilidade? Como a inversão afeta o trabalho? Qual o papel da verdade no desenvolvimento profissional? Como lidar com críticas sem se ferir? Como transformar o ambiente de trabalho em um espaço de crescimento real? Hoje, vamos entender como estudar com o método terapêutico de Norberto Keppe pode te ajudar em tudo isso.
O trabalho é a base da sociedade. Tudo o que nos cerca é fruto do trabalho. No entanto, trabalhar nem sempre é fácil. Existem muitos desafios que podem dificultar essa jornada, e entre eles estão as emoções.
As emoções fazem parte da nossa vida e influenciam diretamente nossa produtividade, motivação e bem-estar. Ansiedade, tristeza, depressão ou até mesmo euforia podem afetar nossa concentração, nosso desempenho e capacidade de tomar decisões. Quando não compreendidas ou bem gerenciadas, essas emoções podem atrapalhar o trabalho e gerar desgaste físico e mental.
Por isso, é essencial reconhecer a importância do equilíbrio emocional no ambiente profissional. Cuidar da saúde mental, buscar apoio e desenvolver inteligência emocional e espiritual são importantes para manter o foco e continuar contribuindo com nosso trabalho. Os alunos na Millennium, enquanto aprendem o idioma, adquirem os conhecimentos de como lidar com tudo isso. Por isso, é chamado de método terapêutico. Foi criado pelo psicanalista e cientista, Dr. Norberto Keppe. Ele fez uma vasta pesquisa sobre o conhecimento e verificou que o que mais bloqueia o aprendizado são as emoções negativas.
Keppe fala o seguinte no seu livro O Homem Universal: “De início, o conhecimento acontece através do sentimento, conforme a aceitação do indivíduo a respeito do que é bom, belo e real – somente a partir daí é que chega ao intelecto (para que haja entendimento) que, inclusive, pode ser obstaculizado pelas más intenções”. Isso vale tanto para o conhecimento quanto para o trabalho.
Veja este gráfico que mostra o interior bom do ser humano, obstaculizado pela avareza, intolerância, raiva e encoberto pela máscara. No método de Keppe, à medida que a pessoa vai se conscientizando de seus bloqueios internos, suas qualidades começam a florescer. A inteligência e a tolerância aumentam, assim como a coragem e a alegria. Os alunos curam-se de muitas doenças.

Você já se pegou remoendo um ressentimento depois de uma crítica? Ou ficou tão chateado com um comentário que não conseguiu mais produzir, pensar ou trabalhar direito? Talvez tenha se sentido excluído por não ter seu nome mencionado em um grupo de trabalho e pensou: “Não vou mais participar.” Ou percebeu que alguém deixou de responder ou colaborar por causa de uma mágoa não resolvida?
Essas situações são mais comuns do que parecem — e, sim, elas atrapalham o andamento das coisas. O trabalho exige colaboração e equilíbrio. Mas nós, humanos, temos emoções. Então, como lidar com as emoções no trabalho? Vamos tentar primeiro entender o que são essas emoções que todo ser humano tem, e com as quais poucos sabem lidar.
Você já percebeu como, muitas vezes, uma simples orientação no trabalho é recebida como um ataque pessoal? Um gerente aponta um erro — com a intenção de ajudar — e o colaborador se fecha, se magoa, pensa em pedir demissão ou até cogita processar a empresa. O medo de ofender está tão presente que muitos líderes já evitam dar feedbacks importantes, mesmo quando poderiam melhorar o desempenho da equipe.
Mas, por que isso acontece? Isso tem muito a ver com um fenômeno chamado inversão, que Dr. Keppe descobriu em 1977. Nós já nascemos com uma visão invertida da realidade. Ou seja, vemos o mundo ao contrário: achamos que o que é bom, é ruim, e o que é ruim, é bom. A verdade parece agressiva, enquanto a mentira soa confortável. A crítica construtiva parece uma ameaça, enquanto o elogio vazio é visto como apoio. O próprio trabalho é visto como sacrifício.
Esse conceito é estudado profundamente na Trilogia Analítica, que une teologia, filosofia e ciência, e é aplicado nas Faculdades Trilógicas, onde se trabalha o desenvolvimento humano com base nessa compreensão.
Veja este trecho do livro do Dr. Keppe, A Origem das Enfermidades:
A enorme dificuldade para o ser humano adquirir consciência de seus problemas reside no fato de tê-la abandonado; portanto, não se trata de saber isto ou aquilo, mas de aceitar ou não a percepção novamente.
– A R.P. está sempre criando dificuldades para meu trabalho, procurando saber o que eu faço para me atacar.
– O que acha da atitude de R.P.?
– Inveja do meu trabalho, e tentativa de sabotá-lo, respondeu J.P.
– O sr. precisa ver essa conduta em seu interior de destruir seu próprio trabalho, tentando depois pôr a culpa nos outros. O sr. até arranjou uma doença que o impede de realizar sua profissão, e depois coloca a culpa nos médicos, se criar dificuldade para a cura.
Os profissionais da saúde têm de se acautelar com os indivíduos projetivos, que colocam suas más intenções neles, como a do próprio adoecimento e depois acusam os que os tratam, como se fossem culpados.
Então, veja a inversão que acontece aqui. A pessoa rejeita e sabota o seu próprio trabalho, porém vê o problema no colega. O pior é que sem a ajuda de um psicanalista integral, dificilmente a pessoa vai chegar a esta conclusão. A maior parte do que a pessoa é, ela não conhece. Este gráfico do Dr. Keppe mostra que o ser humano é o grande desconhecido. E sabe por quê? Porque só 10% de quem somos é realmente conhecido — o resto, os outros 90%, está invisível, escondido abaixo da superfície. Veja aí no gráfico a linha, como se fosse um iceberg. Acima dela, está o que a gente mostra, o que é consciente. Mas, abaixo dessa linha… aí é que está o verdadeiro conteúdo: emoções, impulsos, intenções, ideias — patológicas ou saudáveis — que a gente nem percebe que tem.

E é por isso que, muitas vezes, quando algo acontece, a pessoa fica surpresa. É sinal de que ela não se conhece muito bem. Por exemplo: alguém é mandado embora do trabalho e não entende o porquê. Ou o parceiro decide terminar a relação e a pessoa entra em choque. Às vezes, até em situações simples — como quando alguém critica uma ideia ou um comportamento — a reação pode ser desproporcional: muita raiva, muita dor, muita surpresa. Tudo isso mostra que tem coisa lá embaixo, nesse “90% invisível”, que a gente não acessa com facilidade.
Aqui tem outro gráfico do Dr. Keppe, que é simplesmente revelador — e nele, ele mostra que várias das nossas dificuldades emocionais, como depressão, ansiedade, irritabilidade, insegurança, ciúmes, baixa autoestima… tudo isso tem uma raiz comum: a inveja. Pois é, parece forte, né? Mas, calma, que eu vou explicar.

A gente costuma pensar que a inveja é só querer o que o outro tem. Mas o Dr. Keppe vai além. Ele mostra que a inveja, na verdade, é uma atitude de não querer ver o bem. A própria palavra inveja vem do latim invidere, que significa literalmente “não ver”. Então, quando a pessoa está numa atitude neurótica, ela não quer enxergar o que é bom, o que é verdadeiro, o que é bonito. Ela fecha os olhos pra tudo isso. E aí vem a insatisfação, o pessimismo, a tristeza… como se fosse uma reação em cadeia.
Mas, por que isso acontece? Segundo Keppe, o ser humano tem uma dificuldade enorme de aceitar o bem. Parece estranho, né? Mas, pense comigo: quantas vezes a gente sabota uma coisa boa que tá acontecendo? Uma viagem ou uma promoção. Ou um bom relacionamento. Ou desconfia quando algo dá certo? E como estamos invertidos, rejeitamos o Paraíso, como na história de Adão e Eva.
Essa rejeição ao bem é uma atitude básica que está por trás de muitos dos nossos problemas. E quando a gente entende isso, começa a perceber que a cura — ou pelo menos o caminho para melhorar — passa por aceitar o que é bom, abrir os olhos para o que é verdadeiro, o que é bonito, o que é saudável.
Veja este trecho do livro A Origem das Enfermidades, do Dr. Keppe:
– Tenho uma aluna que é contra os textos que apresento.
– O que acha dessa aluna? Perguntei.
– É muito invejosa, dando sempre o contra; aliás, a sua chefe falou que ela arranja muitas inimizades no trabalho, por causa de sua atitude adversa.
Vejo esse fato como muito importante, porque o invejoso não aceita o que lhe é melhor (por causa da inveja), ocasionando forte rejeição dos outros, ao ver que ele não segue o que é de maior valia – não tendo muito o que transmitir de útil. Neste caso, temos de admitir que o indivíduo invejoso é o mais desprezado na sociedade, sendo que, na maior parte das vezes, não tem a menor percepção desse desprezo.
Aqui podemos ver que a atitude de rejeição é geral na vida da pessoa. A mesma atitude da escola, a pessoa tem no trabalho, em casa. Quando os alunos da Millennium começam a perceber essa questão, eles começam a ter um grande progresso, tanto no aprendizado de idioma como na vida em geral. Um exemplo de um aluno que, logo nas primeiras aulas, teve uma reflexão sobre a inveja — aprendeu como a inveja se manifesta em acidentes ou contratempos justamente quando algo bonito está prestes a acontecer. Ele percebeu que, no ambiente de trabalho, havia uma cultura de reclamação constante. E fez uma escolha simples, mas transformadora: parou de reclamar. Só isso. Ele entendeu que a reclamação era, muitas vezes, uma expressão disfarçada de inveja em uma atitude de dar o contra. Na época, ele era um estagiário de engenharia. Mas essa mudança de postura fez com que seus superiores começassem a confiar mais nele. Ele dizia “sim” com disposição, enquanto outros diziam “não” por hábito. E esse “sim” abriu portas. Ele passou a ser chamado para mais tarefas, ganhou responsabilidades, e construiu uma carreira sólida — hoje, mais de dez anos depois, está muito bem profissionalmente e continua estudando na Millennium. Tudo isso nasceu de uma única percepção: que reclamar era uma forma de destruir. E ao parar de destruir, ele começou a aparecer. A crescer. Isso nos mostra que o progresso começa quando a gente muda por dentro. E, às vezes, tudo o que precisamos é enxergar o que está por trás das nossas palavras, atitudes e reações.Preste bem atenção agora, porque isso é muito importante. Veja este gráfico do Dr. Keppe. Aqui mostra o que ele chama de trio patológico: inveja, censura e projeção.

A inveja é o desejo de destruir o bem alheio. É quando o sucesso do colega me irrita, quando não vejo benefício em fazer a empresa crescer. E isso não é nada agradável de se reconhecer. Ninguém gosta de perceber a inveja que tem, embora racionalmente é muito saudável. Por causa disso, adotamos uma atitude de censura, que significa não ver a própria inveja. Ou seja, a gente bloqueia a consciência que poderia nos mostrar o que está errado. E essa censura tem um efeito direto: falta de energia. Nos fechamos para a energia da consciência, que, justamente, nos mostra o que está falho.
E aí vem o terceiro elemento: a projeção. Quando não reconhecemos a inveja, começamos a ver nos outros aquilo que está em nós. A pessoa que não quer trabalhar, por exemplo, começa a dizer que os outros são preguiçosos. Quem tem má intenção, vê golpe em todo mundo. Quem quer sugar a empresa, acha que está sendo explorado.
A melhor forma de lidar com a projeção é por meio da técnica de interiorização desenvolvida pelo Dr. Keppe. Essa abordagem nos ajuda a perceber que aquilo que enxergamos nos outros — especialmente o que nos incomoda — são, na verdade, reflexos da nossa própria vida interior. Ou seja, é o processo ao contrário da projeção.
Na projeção, tendemos a ver nossas dificuldades nos outros e reagimos com irritação, justamente porque não aceitamos que também possuímos esses aspectos, ainda que estejam inconscientes para nós. Por exemplo: se eu fico muito irritado com um cliente que parece ser indeciso, e por causa disso acabo descartando esse cliente, isso pode prejudicar meu trabalho, certo? Mas se eu conseguir reconhecer que essa indecisão que tanto me incomoda também existe dentro de mim, vai me acalmar muito.
Ao lidar com essa irritação de forma consciente, consigo servir melhor esse cliente, construir um relacionamento mais saudável e alcançar resultados mais positivos. Não estou dizendo que o processo de interiorização seja fácil, mas ele é extremamente útil. Vamos ver outro exemplo do livro A Origem das Enfermidades, de Keppe:
Seja no aspecto patológico ou no são, o ser humano tem dificuldade de ver a vida realmente como é – principalmente os bens que ela fornece.
– Ontem fiquei irritada com meu marido que não foi fazer as entregas de nosso trabalho, alegando que não tinha tempo; mas o pior é que ele fica me condenando sempre.
– A atitude parada de seu marido mostra sua sabotagem com seu trabalho, e a censura dele mostra a sua. Expliquei.
– Eu não consigo ver isso em mim, mesmo que minha família tenha violenta censura; o que não gosto de ver é essa constante repreensão contra mim.
– Então, neste momento, a sra. está censurando sua percepção?
Neste trecho, conseguimos entender os três aspectos do triângulo patológico. Primeiro, vemos a inveja da pessoa em relação ao marido e ao próprio trabalho — que, de certa forma, representam o bem na vida dela. Depois, há uma forte censura, uma resistência em reconhecer essa questão internamente. E, por fim, essa dificuldade acaba sendo projetada no marido, como se ele fosse o problema.
O resultado? Muita irritação. Essa irritação só vai diminuir quando a pessoa conseguir aceitar e enxergar esses aspectos dentro de si mesma. É aí que entra o processo de interiorização: ao reconhecer que o que incomoda no outro também existe em nós, conseguimos nos acalmar, nos compreender melhor e transformar nossos relacionamentos.
Vamos assistir a um programa em que a Dra. Cláudia B. S. Pacheco explica com mais profundidade esse processo de interiorização.
E olha que interessante: nas aulas da Millennium, os professores levam trechos desses programas para os alunos assistirem e aprofundarem o conhecimento. Ou textos do Dr. Keppe e da Dra. Cláudia. Esses conteúdos são discutidos em sala de aula, no idioma escolhido. Isso torna o aprendizado muito mais dinâmico e conectado com a realidade. O material é próprio, desenvolvido pelos professores nesse sentido. Quando você começa a estudar línguas com consciência, algo incrível acontece: você se desbloqueia. Aprende de forma mais tranquila, mais rápida e muito mais prazerosa.
Ao mesmo tempo em que você estuda, você começa a perceber seus pontos fracos, a lidar com eles, a se acalmar e a realizar mais. É um processo de autoconhecimento que vai muito além da sala de aula. E as consequências disso são claras: melhora na saúde, nos relacionamentos, nos estudos em geral, aumento da produtividade e mais sucesso no trabalho. Tudo começa a fluir melhor.
Além disso, estudar línguas na Millennium abre portas para um universo cultural riquíssimo. Você passa a ter acesso às obras científicas, filosóficas, teológicas e artísticas dos grandes gênios da Humanidade. Isso eleva sua compreensão, sua sensibilidade e sua visão de mundo. Se você quiser baixar um ebook com mais informações sobre os cursos da Millennium, você encontrará o link na descrição.Queria mostrar ainda uma ideia que o Dr. Keppe trouxe, ligada ao nosso bem-estar no trabalho. Nosso bem-estar no trabalho depende muito de como nós encaramos o próprio trabalho. Veja nesse gráfico, que ilustra isso muito bem: ele mostra dois caminhos — o da vida voltada para o trabalho e o da vida voltada para o capital. Quando a pessoa valoriza o trabalho como algo essencial, que traz dignidade, desenvolvimento e entusiasmo, ela se torna uma pessoa construtiva, que contribui para a sociedade e cresce com isso.

Por outro lado, quando o dinheiro vira o objetivo principal, a pessoa entra nessa inversão de colocar o dinheiro acima do trabalho que, infelizmente, domina grande parte do mundo hoje. E essa inversão é um sinal claro de que a inveja está predominando na vida dela.
Trabalhar, na visão saudável, significa participar da construção da sociedade, ajudar a resolver problemas, servir aos outros. Mas quando o foco está apenas no dinheiro, a pessoa se prende à chamada vida sensorial — ou seja, uma vida centrada em comida, sexo e dinheiro — ignorando valores mais elevados como os afetivos, artísticos, ecológicos, científicos e espirituais. E com essa filosofia de vida, dificilmente alguém vai se sentir bem em qualquer trabalho. Vai estar sempre frustrado, chateado, se sentindo mal compreendido — e levando a própria vida na direção da destruição.
Você já reparou nisso nas pessoas ao seu redor? Umas que são voltadas ao trabalho e que tendem a ter uma vida mais tranquila. E tem outras que, na inversão, veem o trabalho como um castigo, algo a ser evitado a todo custo — a ponto de acharem que vão morrer se tiverem que trabalhar.
A ação é a base de toda a realidade. Já parou pra pensar nisso? Imagina se as gerações anteriores não tivessem trabalhado — não teríamos ruas, cidades, catedrais, nem os conhecimentos, as artes, a agricultura. E até hoje, se não houvesse pessoas trabalhando na lavoura, transportando alimentos, cozinhando, preparando tudo… a vida seria muito mais difícil.
Por isso, precisamos conscientizar a inveja que a sociedade tem justamente do grupo mais importante: os que trabalham. Tem mais um gráfico que mostra algo muito interessante: quanto maior a ação da pessoa, maior a consciência dela. Se a ação é pequena, a consciência também será limitada. Se a ação dela for grande, a consciência também será grande.
Então, se você está trabalhando, está lidando com problemas reais, está tendo consciência da inveja, da inversão, da dificuldade que é fazer o bem num mundo invertido. Se você estiver nisso, já está em muito bom caminho. Agora, se você está mais parado, mais estagnado, é só começar a se pôr em ação.
Esse foi o conteúdo que eu queria compartilhar com vocês hoje. Se você já é aluno, nos vemos nas atividades, nas aulas e, claro, nas imersões em Cambuquira, Minas Gerais, que são sempre experiências transformadoras. E se você ainda não é aluno, mas se interessou por tudo o que falamos aqui, entre em contato com a gente! Vamos te ajudar a escolher o curso que mais combina com você, com seus objetivos e com seu momento de vida.
Sari Koivukangas é finlandesa, professora na Escola de Línguas Millennium e nas Faculdades Trilógicas.
